Eu queria trazer-te uns versos muito lindos

Mario Quintana

Eu queria trazer-te uns versos muito lindos
colhidos no mais íntimo de mim...

Suas palavras
seriam as mais simples do mundo,

porém não sei que luz as iluminaria
que terias de fechar teus olhos para as ouvir...
Sim! Uma luz que viria de dentro delas,
como essa que acende inesperadas cores
nas lanternas chinesas de papel!
Trago-te palavras, apenas... e que estão escritas
do lado de fora do papel... Não sei, eu
nunca soube o que dizer-te
e este poema vai morrendo, ardente e puro, ao vento
da Poesia...
como
uma pobre lanterna que incendiou!


Reforma Política: vitória do clientelismo

A Câmara dos Deputados jogou fora na noite de ontem (27) a oportunidade de tornar a política brasileira um pouco mais transparente e menos vulnerável à ação dos grandes grupos econômicos.

Por 252 votos a 181, os parlamentares rejeitaram a proposta de lista pré-ordenada para as eleições de deputados e vereadores, que era um dos pilares do projeto de reforma política.

Isso manteve a predominância dos interesses individuais sobre os projetos coletivos e praticamente inviabilizou a proposta de financiamento público para esse tipo de campanha – que era outro eixo da reforma pretendida.

Capitaneados por caciques regionais e pelo PSDB, os deputados que preferiram manter as coisas como estão recusaram até a alternativa da lista flexível – na qual o eleitor votaria na chapa fechada, mas poderia, na seqüência, escolher um nome de sua preferência. Essa proposta foi derrubada por 220 a 203 votos.


As duas votações foram nominais. Para saber como votaram os deputados clique
aqui (lista flexível) e aqui (lista fechada).

É realmente lamentavel. O que sobrou ainda para ser votado pouco ou nada mudará no sistema eleitoral, não que a votação em lista iria de fato mudar radicalmente a combalida polítca brasileira, mas seria um passo, e nem ao menos isso esse congresso nacional foi capaz de fazer. Mas esse tipo de votação é bom para o povo passar a se concientizar de que a grande maioria dos Deputados pouco ou nada fazem para a sociedade que não seja a manutenção de interesses particulares. E com isso, segue Brasília sendo uma verdadeira ilha fora da realidade do país.

Arquivos da CIA confirmam que EUA tentaram matar Fidel

A agência americana de inteligência CIA divulgou na internet centenas de documentos secretos que revelam atividades ilegais da agência, incluindo um plano para assassinar o presidente cubano Fidel Castro com a ajuda de mafiosos.

Os arquivos revelam que, em 1960, a CIA recrutou Robert Maheu, ex-agente do FBI, para se aproximar do mafioso Johnny Roselli, que o introduziu a mafiosos ligados a Momo Giancana, o sucessor do famoso mafioso Al Capone em Chicago.
A CIA teria dado seis pílulas de veneno aos mafiosos, que tentariam convencer cubanos ligados a Fidel a colocá-las na comida do presidente. Parte do plano, que acabou abortado em 1961 devido à tentativa de invasão da Baía dos Porcos, já havia sido revelada pelo jornalista Jack Anderson, em 1971.

Entre os textos divulgados no site da CIA a partir desta terça-feira, está a série de documentos conhecidos como “Jóias da Família”, que detalha alguns dos piores abusos e atividades ilegais cometidos pela agência entre os anos 50 e 70.

Na semana passada, ao anunciar a abertura dos arquivos, o diretor-chefe da CIA, general Michael Hayden, disse que os documentos eram "desagradáveis, mas são parte da história da CIA".

A coleção “Jóias da Família” reúne mais de 700 páginas de respostas de funcionários da CIA à diretriz decretada em 1973 pelo então diretor da agência, James Schlesinger.

Preocupado com o envolvimento da CIA no escândalo de Watergate, Schlesinger pediu que todos os diretores da agência o informassem de qualquer atividade praticada pela CIA que desrespeitasse os preceitos legais da agência.

Os documentos divulgados agora revelam complôs de assassinatos, espionagem em território americano, grampos e seqüestros.

Outros incidentes relatados são a prisão de Yuriy Ivanovich Nosenko, desertor do serviço de inteligência soviético KGB, nos anos 60, e o uso de grampos e vigilâncias contra jornalistas, incluindo o colunista Jack Anderson.

Outra série de documentos, conhecidos como CAESAR-POLO-ESAU, contém uma série de 11 mil páginas de análises feitas entre 1953 e 1973 sobre a política interna na União Soviética e na China e as relações sino-soviéticas.

Uma das análises afirma que o governo soviético fez um remanejamento apressado de cargos de alto escalão meses após a morte de Josef Stalin, em 1953, para evitar “pânico e desordem”.


Fonte: BBC Brasil

Bush gerou mais de 6 milhões de refugiados com guerras, diz ONU

As guerras de agressão perpetradas pelo governo Bush contra o Iraque e o Afeganistão são a principal causa do aumento do número de refugiados, segundo revelam os dados do relatório do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR).
Desde a invasão do Iraque em 2003, mais de 4 milhões de iraquianos foram expulsos de seus lares, dos quais, 1,5 milhão tiveram que deixar o país só em 2006. Já no Afeganistão, apenas no ano passado, a ocupação ianque gerou 2,1 milhões de refugiados, o que representa cerca de 7,5% da população afegã.
Segundo a agência da ONU, o número de refugiados no mundo, foi elevado para 10 milhões durante o ano de 2006. Ou seja, desse total, mais de 6 milhões foram expulsos de seus lares pelas ocupações de Bush no Iraque e Afeganistão.
O relatório do ACNUR omite, no entanto, 4,3 milhões de palestinos refugiados na Jordânia, Líbano, Síria, Cisjordânia e Gaza, drama humanitário gerado por Israel, com o apoio político, financeiro e militar do governo dos EUA.
Antonio Guterres, ex-ministro de Portugal e comissário do ACNUR, acrescentou: "Neste ano, estamos dando apoio a uma grande operação para reintegrar ao Sudão sudaneses vindos de vários países da região".
O comissário de refugiados sérvio, Dragagisa Dabetic, disse que a Sérvia tem 100 mil refugiados e 209 mil IDPs (sigla em inglês, refugiados no interior do país). Os bombardeios à antiga Iugoslávia realizados pelos EUA em 1991 levaram ao desmembramento daquele país e provocaram essa número de refugiados.

Fonte: Portal do Mundo do Trabalho (www.cut.org.br)

Humor


Autor: Kayser

Financiamento público: um passo importante

Um dos pontos que está sendo debatido na proposta de reforma política, a ser votada pelo Congresso Nacional, é o financiamento público das campanhas eleitorais. Esta proposta talvez seja uma das que surtirá os maiores efeitos imediatos para o sistema eleitoral brasileiro.
Atualmente as campanhas eleitorais no Brasil são sustentadas basicamente através do financiamento privado, o que tem gerado distorções grotescas na disputa política, além de ser esta a principal "porta de entrada" para a corrupção na esfera pública. O financiamento público exclusivo para as campanhas eleitorais deverá ser um eficaz antídoto para estas mazelas. E com isso passaremos a dar uma boa dose de republicanismo a nossa democracia brasileira, que de fato ainda guarda muitos mecanismos que a impede de ser uma democracia plena.
O financiamento das campanhas não é um tema menor. Se vende a muito tempo a idéia de que o eleitor é livre para escolher os melhores candidatos(as) que desejar, mas na prática o que ocorre é que o poder econômico tem sido um componente definidor nas disputas. Sendo assim, as empresas e grupos econômicos detentores destes recursos, ao financiar a campanha de um determinado candidato acaba, muitas vezes a exigir a sua contrapartida, seja através de participação em obras públicas e outros meios de corrupção direta (ou indireta) ou ainda através de projetos de lei que garantam os interesses destes empresários que financiaram a sua campanha, ficando os interesses gerais do povo jogados para um segundo plano.
É uma via de mão dupla, o financiador fornece os recursos de um lado e os recupera de outro através do apoio obtido pelo detentor de cargo público que fica com esta "dívida moral" com quem lhe garantiu a vitória eleitoral. Neste caso, o povo fica sendo vítima de um sistema que permite que tal ato imoral se estabeleça quase que como uma regra e não como exceção na política brasileira. O caixa 2 entra neste contexto mais como uma conseqüência do que como motivador. O vício de origem se estabelece ao se permitir o financiamento privado das campanhas e somente com a sua proibição poderíamos ter este problema sanado.
Mas apenas o financiamento público é insuficiente, é fundamental que se estabeleça conjuntamente outros mecanismos que caminhem nesta direção, com especial destaque para o fim do voto nominal e a implantação da votação em listas pré-ordenadas e a fidelidade partidária. Pois somente assim teremos a possibilidade real de criar condições de se impedir na origem que os interesses particulares se sobreponham aos do conjunto da sociedade.

Velhas teses, novas estratégias

Sueli Carneiro

Como o Brasil é uma persistente promessa postergada de futuro, preferimos ir de volta ao passado, pois as novas interpretações da vida e do mundo são o retorno a velhas teses que forjaram os mitos que somos, outra vez, convidados a cultuar em detrimento da realidade social. A novidade do momento é que raça não existe.

A constatação óbvia é repetida em certos veículos de comunicação como se a genética brasileira tivesse realizado um feito semelhante ao da descoberta da pólvora. Quando foi que raça existiu, a não ser como instrumento de exploração dos povos não-brancos que teve no racismo científico sua legitimação como doutrina teórica? Seria bizarro, não fossem as repercussões desse falso debate.

Com a ajuda da ciência derretem-se as negritudes biológicas para decretar não a morte da raça sociológica e sim das políticas de eliminação das desigualdades sociais fundadas na rejeição à raça ou à cor dos indivíduos. É o resultado político que parece ser buscado com a investigação da ascendência genética dos negros. Veja-se o caso dos gêmeos Alex e Alan, submetidos a perversa, e constrangedora exposição, sendo usados por meio da generalização de seu caso particular e peculiar para atacar a política exitosa da UnB de inclusão da diversidade racial.

Quando combatemos o conceito de raça de costas para a história de desigualdade que ela produziu e permanece reproduzindo, estamos no mesmo paradigma imposto pelo racismo, na medida em que a negação da realidade social das raças hoje coopera para a permanência das desigualdades que ela engendra como construto social e cultural.

É por isso que, fora dos laboratórios dos cientistas, a vida segue como ela é. Uma mulher negra aprovada em primeiro lugar para trabalhar como atendente comercial no último concurso dos Correios, na região do ABC paulista, recebeu da gerente da agência em que fazia treinamento alguns conselhos. Disse a chefe que os Correios pedem que os funcionários do atendimento apresentem boa aparência para “transmitir segurança aos clientes”, quando vão postar suas cartas e encomendas.

O foco em questão era o cabelo de Mara, com dreads, chegando a gerente a propor fossem cortados; que se Mara fosse carteira ou operadora de triagem, não teria problemas com a aparência. E ainda fez uma série de perguntas do tipo “por que você usa o cabelo assim?” “Como lava?”, afirmando em seguida: “Eu também tenho um pé na senzala”.

Se fosse uma negra famosa, Mara teria sido convidada a submeter-se a um teste de DNA que provavelmente comprovaria que ela tem em torno de 40,8% de ascendência européia, assim como Daiane dos Santos. O problema está em conseguir convencer o empregador dessa branquitude presente e latente em seu DNA que não foi capaz de escorrer seus cabelos. Talvez uma contribuição concreta que geneticistas poderiam dar nesses casos fosse seus institutos ofertarem um certificado de ascendência européia a todos os que parecem negros mas, segundo a genética, não são. Poderia ser uma espécie de crachá no qual viriam descritas as porções, sobretudo a européia, de cada um de nós, a ser apresentado junto com os demais documentos exigidos nos processos de seleção das empresas ou nas revistas policias e demais situações sociais em que, por engano, sejamos tratados como negros.

Isso talvez tivesse evitado, por exemplo, a humilhação sofrida por Daiane dos Santos com a piada divulgada por certa atriz, na qual ela era chamada de macaca, ou as vezes em que o cantor Djavan foi parado pela polícia em São Paulo com seus 30,1% de europeidade no DNA.

Conhecido geógrafo, aguerrido combatente contra as cotas raciais e o Estatuto da Igualdade Racial, em entrevista a um jornal de São Paulo, disse: “É importante que o Brasil mostre para o mundo que é um país de miscigenação — um país que não é uma democracia racial, mas quer ser”. O Fashion Rio acaba de dar ao mundo um exemplo dessa democracia racial “que se quer”. O inglês Michael Roberts, que estava fotografando o Fashion Rio para a revista Vanity Fair, considerou “uma vergonha” não encontrar negras desfilando. “Estou surpreso (...) Negros são fantásticos, assim como índios e orientais. O Brasil deveria aproveitar sua diversidade.”

Segundo a imprensa, Felipe Velloso, responsável pela escolha de modelos, explicou que “adoraria ter negras na passarela, mas há poucas na profissão. Veja a TV: você não vê negros em comerciais de pasta de dente” . Como se vê, como raça não existe, os negros desapareceram da paisagem (ou melhor, das passarelas) e, de roldão, foram consigo orientais e índios. Deu branco!

Sueli Carneiro é Doutora em filosofia da educação pela USP, é diretora do Instituto da Mulher Negra(Geledés)

Humor



Autor: Mino


O automobilismo é incompatível com o planeta


O automobilismo se tornou um anacronismo, um luxo, num planeta que precisa cortar 50% da emissão de CO2. A opinião é do colunista James Porteous do The Herald. Quem comenta o artigo de James Porteous é Fábio Seixas que vive em Londres, onde faz mestrado em Administração Esportiva na London Metropolitan University. O artigo foi publicado no caderno de Esportes na Folha de S.Paulo, 8-06-2007.
Eis o artigo.
"James Porteus é colunista do inglês "The Herald" e, desde segunda-feira, um dos homens mais odiados pela F-1. O motivo, um artigo publicado naquela edição do diário. O título, curto e grosso: "O automobilismo deveria ser banido".
Porteous começa seu texto assim: "Há um esporte mais perigoso do que qualquer outro, que mata muito mais gente que o boxe, mas que, apesar disso, não suscita pedidos de banimento. Não é o rúgbi. Não é o hipismo. Não é nem o vale-tudo. Não. É hora de proibir o automobilismo. Não para salvar os pilotos, que provavelmente correm menos riscos que jogadores de futebol, mas sim para salvar o resto do planeta".
O colega se refere ao assunto do momento, o aquecimento global. E despeja uma série de números e estatísticas para embasar sua tese. O raciocínio é simplista. De um lado, a F-1, com seus carros que queimam 1,5 litro de gasolina e emitem 1,5 quilo de dióxido de carbono por quilômetro. Computados os testes e os vôos intercontinentais, calcula o inglês, cada piloto do grid "emite" 54 toneladas de CO2 nos oito meses que dura uma temporada.
Do outro, a Terra, sua atmosfera, sua população. O cenário mais otimista -aumento de 2ºC na temperatura até 2100- desenhado pelo Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática, em maio, pede corte de pelo menos 50% nas emissões de carbono. Otimismo é mera força de expressão. Dois risquinhos a mais no termômetro significam geleiras derretendo, oceano subindo, cidades costeiras submergindo. "Quanto mais rápido o carro, mais rápido ele destrói a Terra. É simples. Vencer corridas e salvar o planeta são atos incompatíveis" , diz.
É, é simples assim. E não há mal nenhum, às vezes, em ser simplista, em ser direto, reto e sem rodeios. Mas a FIA, claro, não gostou. E foi rápida para reagir. Com raiva. Um assessor da entidade disse ter ficado chocado com a ingenuidade do colunista: "A F-1 sempre esteve na linha de frente das novas tecnologias e vai continuar assim, reutilizando a energia desprendida nos freios e pesquisando os biocombustíveis" .
Entre o naïf e o dissimulado, fico, sem titubear, com o primeiro. A adoção de etanol, como fez a IRL, ou de gasolina sem chumbo, caso da Nascar, só reduz parte do problema. Para continuar no tema da moda, imagine quanta cana-de-açúcar teria de ser plantada para mover uma temporada com 20 GPs e o quanto de área para produção de alimentos seria engolido com isso.
Amantes do automobilismo precisamos colocar na cabeça que o esporte tornou-se anacrônico, humanamente incorreto, que virou um luxo. Um luxo que cobra muito caro. Não demorará, alguém, num desses painéis da ONU ou da União Européia, jogará na mesa os danos causados pelo automobilismo. Um texto como o de Porteous num diário como o "Herald" é indício disso. É... Foi legal enquanto durou."
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Pesquisa revela: maioria quer a Vale de volta

Essa informação foi pouco noticiada na grande mídia empresarial, o que não chega a ser uma novidade, e revela que a maioria do povo brasileiro quer que suas riquesas minerais voltem a ser patrimônio do Estado Brasileiro.
Em uma pequena nota publicada no Jornal Folha de São Paulo, pela jornalista Mônica Bergamo, coloca que "A maioria dos brasileiros quer que o governo federal "retome" (nesses termos) a empresa Vale do Rio Doce, que foi privatizada no governo de Fernando Henrique Cardoso. O resultado, meio escondido entre várias outras perguntas do instituto GPP, está deixando deputados e senadores que tomaram conhecimento dos números de queixo caído: 50,3% são "a favor" da reestatização da empresa, contra 28,2% que são contra. No norte, onde a presença da Vale é mais forte, 62% querem a empresa "de volta"."

É mais uma prova de que o ideário neoliberal segue perdendo força no conjunto da população e que é mais do que hora de passarmos a uma ofensiva que recoloque o Estado e a sociedade em um outro padrão de desenvolvimento.

Cpers permanece na CUT

Por 2041 a 1918 votos, a assembléia geral do CEPERS/Sindicato decidiu manter a entidade filiada à CUT. Por discordar do encaminhamento de voto em urna, muitos filiados que votavam pela permanência da filiação á CUT acabaram se retirando sem votar, o que diminuiu a diferença. Quem estava no Gigantinho viu que o volume de cutistas era bem maior que o expressado na votação.
A posição de desfiliação da CUT, unia, de maneira muito estranha, pela extrema esquerda, o PSTU, o PSOL e o que restou do PCB e pela direita, o PSDB, o PMDB, o PFL, o PP e o PDT, organizados no movimento Pó de Giz.
Os defensores da filiação à CUT, além de independentes e sem partidos, contavam com militantes do PT, em sua grande maioria, do PCdoB, do PSB e um pequeno racha do PSOL.
Agora, a categoria se prepara para o enfrentamento com o governo Yeda e definiu o dia 28 de junho como um dia de Aula de Cidadania e Debate com a Comunidade Escolar, o dia 10 de julho como um Dia de Paralisação para discutir a Pauta de Reivindicações e no dia 10 de agosto uma nova Assembléia Geral para aprovar a pauta e definir o calendário de lutas que poderá incluir a proposta de uma greve pela valorização dos trabalhadores em educação e contra o governo de Yeda.
Espera-se que o esquerdismo e a direita acatem o resultado da assembléia geral e, por um bom espaço de tempo não venham com novas propostas divisionistas.
O esquerdismo está defendendo a desfiliação da CUT mas não tem a coragem de defender a filiação do CPERS ao Conlutas porque isto o afastaria do seu mais novo aliado, o setor reacionário e atrasado da direita da categoria, o movimento Pó de Giz.
Escrito por Chico Vicente aqui.

Prostíbulos fiscais

Emir Sader


A função dos prostíbulos na sociedade tradicional era permitir que os respeitáveis maridos garantissem a eternidade dos laços matrimoniais, descarregando suas necesidades não atendidas pela esposa nos prostíbulos. Um papel similar tem os ironicamente chamados “paraísos fiscais”, como linhas de escape dos grandes capitais, que ganham mais com a especulação e os investimentos nesses lugares que na produção de bens.

A porcentagem do comércio mundial que transita por esses paraísos fiscais subiu a mais da metade do total, mesmo se esses territórios que alugam sua soberania para negócios escusos somam apenas 3% do produto bruto mundial. Calcula-se que um bilhão de dólares de dinheiro sujo circulam anualmente nesses territórios, a metade proveniente dos países da periferia do capitalismo, a outra metade dos países centrais. Segundo um banqueiro suiço, apenas 0,01% do dinheiro sujo que passa pela Suíça é detectado.

Mas o que é um paraíso fiscal e onde eles estão localizados? Entre suas características estão as de que não-residentes pagam pouco ou nada de impostos; a ausência de intercâmbio de informações fiscais com outros países; a falta de transparência legalmente garantida pelas organizações que se estabelecem nesses territórios; a não obrigação para as empresas locais que pertencem a não-residentes de exercer qualquer atividade local significativa.

Pode-se passar a idéia de que eles estão situados na periferia do capitalismo, ainda mais que se costuma chamá-los de “offshore”. Mas não é assim: geograficamente eles podem estar situados em pequenas ilhas, mas a maioria dos paraísos fiscais estão, política e economicamente, ligados aos países da OCDE. Na economia britânica, por exemplo, a maior parte das transações offshore é controlada pela City – a Bolsa de Londres.

John Christensen, no livro “Evasão fiscal e pobreza”, publicado pelo Centro Tricontinental, classifica o Reino Unido em lugar de destaque entre os países mais corruptos do mundo.No entanto, uma organização como Transparência Internacional, que publica anualmente a lista dos países mais corruptos se centra nos países da periferia do capitalismo.

No entanto, na sua lista, segundo Christensen, 40% dos paises situados como os menos corrompidos, são paraisos fiscais offshore e centros financeiros como Singapura, Suíça, Reino Unido, Luxemburgo, Hong-Kong, Alemanha, Estados Unidos, Bélgica e Irlanda. Nas palavras de um dirigente nigeriano que investiga o tema: “É irônico que Transparência Internacional, situada na Europa, não pense em considerar a Suíça como a primeira ou a segunda nação corrupta do mundo, por ter abrigado, encorajado e incitado todos os ladrões dos tesouros públicos do mundo a colocar seu botim sob salvaguarda em suas asquerosas caixas fortes”. Em outras palavras, considera a corrupção do lado da oferta, mas não da procura ou ainda, coloca toda a responsabilidade nos corruptos, absolvendo os corruptores – via de regra governos do centro do capitalismo e empresas multinacionais.


Socialismo do século 21

Boaventura de Sousa Santos

O que de mais relevante está a acontecer em nível mundial acontece à margem das teorias dominantes e até em contradição com elas.
Há 20 anos, o pensamento político conservador declarou o fim da história, a chegada da paz perpétua dominada pelo desenvolvimento "normal" do capitalismo -em liberdade e para benefício de todos-, finalmente liberto da concorrência do socialismo, lançado este irremediavelmente no lixo da história. À revelia de todas essas previsões, houve, neste período, mais guerra que paz, as desigualdades sociais se agravaram, a fome, as pandemias e a violência se intensificaram, a China "se desenvolveu" sem liberdade e mediante violações massivas dos direitos humanos e, finalmente, o socialismo voltou à agenda política de alguns países.

Concentro-me neste último, pois constitui um desafio tanto ao pensamento político conservador como ao pensamento político progressista. A ausência de alternativa ao capitalismo foi tão interiorizada por um quanto pelo outro. Daí que, no campo progressista, tenham dominado "terceiras vias", buscando achar no capitalismo a solução dos problemas que o socialismo não soubera resolver.

Em 2005, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, colocou na agenda política o objetivo de construir o "socialismo do século 21". Desde então, dois outros governantes -tal como Chávez, democraticamente eleitos-, Evo Morales (Bolívia) e Rafael Correa (Equador), tomaram a mesma opção.
Qual o significado desse aparente desmentido do fim da história? Qual o perfil da alternativa proposta ao capitalismo? Que potencialidades e riscos ela contém?

O socialismo reemerge porque o capitalismo neoliberal não só não cumpriu suas promessas como tentou disfarçar o fato com arrogância militar e cultural; porque sua voracidade por recursos naturais o envolveu em guerras injustas e acabou por dar poder a alguns países que os detêm; porque Cuba -seja qual for a opinião a respeito do seu regime- continua a ser exemplo de solidariedade internacional e de dignidade na resistência contra a superpotência; porque, desde 2001, o Fórum Social Mundial tem vindo a apontar para futuros pós-capitalistas, ainda que sem os definir; porque nesse processo ganharam força e visibilidade movimentos sociais cujas lutas pela terra, pela água, pela soberania alimentar, pelo fim da dívida externa e das discriminações raciais e sexuais, pela identidade cultural e por uma sociedade justa e ecologicamente equilibrada parecem estar votadas ao fracasso no marco do capitalismo neoliberal.

O socialismo do século 21, como o próprio nome indica, define-se, por enquanto, melhor pelo que não é do que pelo que é: não quer ser igual ao socialismo do séc. 20, cujos erros e fracassos não quer repetir.

Não basta, porém, afirmar tal intenção. É preciso realizar um debate profundo sobre os erros e fracassos para que seja credível a vontade de evitá-los. Se tal desidentificação em relação ao socialismo do séc. 20 for levada a cabo, alguns dos seguintes traços da alternativa deverão emergir.

Um regime pacífico e democrático assente na complementaridade entre democracia representativa e democracia participativa; legitimidade da diversidade de opiniões, não havendo lugar para a figura sinistra do "inimigo do povo"; modo de produção menos assente na propriedade estatal dos meios de produção que na associação de produtores; regime misto de propriedade em que coexistem propriedade privada, estatal e coletiva (cooperativa); concorrência por um período prolongado entre a economia do egoísmo e a economia do altruísmo, digamos, entre Microsoft Windows e Linux; sistema que saiba competir com o capitalismo na geração de riqueza e lhe seja superior no respeito à natureza e na justiça distributiva; nova forma de Estado experimental, mais descentralizada e transparente, de modo a facilitar o controle público do Estado e a criação de espaços públicos não estatais; reconhecimento da interculturalidade e da plurinacionalidade (onde for o caso); luta permanente contra a corrupção e os privilégios decorrentes da burocracia ou da lealdade partidária; promoção da educação, dos conhecimentos (científicos e outros) e do fim das discriminações sexuais, raciais e religiosas como prioridades governativas.

Será tal alternativa possível? A questão está em aberto. Nas condições do tempo presente, parece mais difícil que nunca implantar o socialismo num só país, mas, por outro lado, não se imagina que o mesmo modelo se aplique em diferentes países. Não haverá, pois, socialismo, e sim socialismos do séc. 21. Terão em comum reconhecerem-se na definição de socialismo como democracia sem fim.

A mídia do ódio

Ignacio Ramonet

Chego a Caracas para participar de uma jornada sobre “O Direito cidadão de estar informado”, encontro organizado pela Telesur. Participam personalidades da envergadura de Tariq Ali, Danny Glover, Richard Gott, Fernando Solanas, Miguel Bonasso. O ambiente está marcado pelo assunto da não renovacäo da concessão da Radio Caracas Televisión (RCTV), expirada no dia 27 de maio próximo passado. Assisto a uma manifestação do Presidente Chávez, recentemente reeleito com 63% dos votos. Ele explica que a decisão está amparada no Direito, e que não significa nenhuma arbitrariedade, nem ilegalidade. Acrescenta que, na Venezuela, onde 80% das estações de televisão são usadas pelo setor privado, a absorção dos meios de comunicação por grandes empresas converteu o direito de informar mais num privilégio empresarial do que num legítimo direito cidadão.

Converso com Francisco Farruco Sesto, galego nascido em Vigo, que chegou a Caracas com 12 anos de idade e hoje é nada mais nada menos que o ministro da Cultura. De modo simples e tranqüilo, Farruco me explica que toda essa barulhada internacional é um pretexto para atacar o presidente Chávez. “Por que razäo”, me diz, “a Venezuela está hoje no olho do furacäo, quando governos anteriores aplicaram a censura a torto e a direito, e para cá nunca vieram Repórteres sem Fronteira, a Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), nem a Corte Interamericana de Direitos Humanos? Por que ninguém protestou quando essa mesma RCTV foi fechada durante vários dias em 1976, por "difusäo de notícias falsas", ou quando foi lacrada em 1980, por "sensacionalismo", ou quando de novo foi fechada em 1981, por "difusão de programas pornográficos", ou quando foi condenada em 1981,por ter ridicularizado o presidente da República?”.

Tudo isso aconteceu antes da primeira eleição do presidente Chávez, em 1998. E nenhuma organizacäo internacional condenou estes “abusos” naquela ocasiäo. “Assim como não condenaram o fechamento do Diário de Caracas, ou o desligamento massivo de jornalistas do Globo, ou de Nuevo País. Se hoje há condenacöes, é só para perseguir o presidente e desmerecer o programa da Revolucäo Bolivariana”.

O amigo Farruco tem razão. Abundam exemplos, em diversos países, de concessões não renovadas a canais de televisão, sem que provoquem protestos. Para não ir muito longe, em 2004 na Franca se suspendeu a concessäo da TV Al Manar, porque se considerou que este canal do Hezbolla libanês “pregava o ódio”. Na Inglaterra, Margaret Thatcher cancelou a concessão de uma das grandes cadeias de televisão por ter difundido notícias não gratas, ainda que verídicas. No mesmo Reino Unido as autoridades dispuseram, em marco de 1999, o fechamento temporário de Med-TV-Canal 22; em agosto de 2006 revogaram a licença da One TV; em novembro do mesmo ano, a da StarDate TV 24 e em dezembro a do canal de televendas Auction World.

Organizações independentes, como o Observatório Global de Mídia, denunciaram com provas cabais que a RCTV participou da conjuntura midiática que propiciou o golpe de estado de 11 de abril de 2002. Este canal, mediante manipulaçõöes e envenenamentos, difundiu falsidades e calúnias para fomentar a execração e a birra contra o presidente Chávez e seus partidários. Um comportamento semelhante foi condenado em outras latitudes. Por exemplo, o Tribunal Internacional sobre o Genocídio em Ruanda condenou, em 1994, os promotores da Rádio Mil Colinas por cumplicidade com o extermínio dos tutsis. Na ex-Iugoslávia, o informe do representante da ONU, Tadeusz Mazowiecki, condenou o papel das “mídias do ódio” nas operações de “limpeza étnica” levadas a cabo na Croácia e na Bósnia-Herzegovina.

Na Venezuela, a RCTV tem sido uma típica “mídia do ódio”, despertando na opinião pública instintos primários e promovendo uma violência tal que poderia desembocar numa guarra civil. A que então se deve todo esse barulho a seu favor? À solidariedade do poder midiático internacional, que vê na decisão do presidente Chávez uma ameaca contra sua atual dominação ideológica. Mas a aguerra näo acaba aqui.

Publicado no jornal El Pais, 08/06/2007

Fonte: Carta Maior

No G-8, segue a grande farsa

Chega ao seu final o grande teatro das grandes potências econômicas e militares do mundo, autodenominada de G-8, que se reuniu no balneário de Heiligendamm, na Alemanha nesta semana. Desta vez, como foi nas outras vezes, a grande mídia tratou de dar uma cobertura amplamente favorável as "boas intenções" que sairiam desta cúpula.
Milhares de manifestantes dos mais diferentes lugares foram dar o seu recado de protesto contra os descaminhos que seguem sendo tomados, mas que no entanto, os comandantes do G-8 fazem questão de não escutar. O quê também não chega a ser uma novidade, em todas as últimas reuniões do G-8, os protestos (sejam eles pacíficos ou não) são uma tônica constante. Demonstrando que há uma tensão real entre as decisões e ações que este "seleto grupo" tem tomado de forma autoritária e contrária aos interesses da grande maioria dos povos. E o caráter autoritário desta cúpula se acentua ainda mais quando se trata de questões relacionadas a temas que não atingem apenas as oito nações diretamente envolvidas, mas sim ao planeta como um todo.
Um exemplo disso é as declarações do premiê britânico Tony Blair antes de iniciar a reunião, dizendo acreditar que os representantes chegariam a um acordo a respeito da emissão de gases do efeito estufa. "A chave para isto é a aceitação de que o clima está mudando de maneira perigosa, como resultado da atividade humana", afirmou. Mas no entanto, não passou disso, nada foi decido de concreto e nada será feito pelo "clube dos países ricos". O que já era esperado, pois as reuniões do G-8 servem apenas para aparar arestas entre as intenções imperialistas e de como garantir uma estabilidade maior nas intenções conflitantes destes. Sempre tem sido assim, pois está é a lógica, apesar de externamente declararem o contrário.
Teve um fato que ocorreu na sexta-feira no encerramento do encontro, de forma quase patética, simboliza bem o grande circo demagógico desta cúpula. O presidente americano, George W. Bush, alegou ter passado mal e cancelou sua participação na reunião do G8 que discutiria ajuda para os países africanos. Talvez este mal estar seja a consciência de Bush (sim, talvez ele tenha uma) pesando pela hipocrisia desta reunião que discutiria algumas esmolas para os países que foram vitimas por séculos de políticas imperialistas que ainda deixam suas marcas profundas sobre o povo africano. Ou então, o que é mais provável, Bush resolveu ter um arroubo de sinceridade e não fazer de conta que fará algo para reverter a situação dramática da África.
Mas sim, estará indo para a Polônia no mesmo dia para discutir a proposta americana de estabelecer um sistema de defesa antimísseis no país. Ou seja, entre discutir alguma "ajuda" para a África e construir mísseis contra o dito "eixo do mal", prevalece a última. E assim, se escancara a grande farsa do G-8.

O Fracasso da saúde na gestão Fogaça

Na campanha eleitoral, Fogaça admitia que as gestões petistas na Capital haviam mudado a cara da cidade. Mas como precisava tornar deglutível aos porto-alegrenses uma mudança no comando do município, inventou um slogan que pregava “fica o que tá bom, muda o que não tá ”. E entre as poucas coisas que incluía no que não estava bom, Fogaça citava sempre a saúde. Prometendo acabar com as filas e garantir atendimento digno a todos, Fogaça escolheu para a área, “um nome acima dos partidos”. Este nome foi Pedro Gus, proctologista que já havia sido Diretor de Saúde Pública da Prefeitura de Porto Alegre, diretor da Associação Médica do RS, conselheiro do Cremers e até presidente do Sindicato Médico do Estado. Era, segundo Fogaça, “um homem de gestão” e havia provado sua competência no comando do Hospital de Clínicas. Acima de tudo, conforme o prefeito, Gus “tinha bom trânsito entre os colegas”. Esta característica foi reforçada porque ainda durante a campanha, assessorados pelo inopinável José Barrionuevo, alguns médicos criticaram muito as gestões petistas.

Tudo parecia caminhar bem até que o Sindicato dos Médicos do RS resolveu promover uma interdição ética no Postão da Cruzeiro, o “pronto socorro” da Zona Sul porto-alegrense. Segundo o sindicato, por absoluta falta de investimentos municipais, não há condições para o exercício da medicina naquele local. Associe-se à interdição a falta de medicamentos e a péssima qualidade do atendimento, e se terá então a explicação para a cogitada e já quase confirmada saída de Pedro Gus do cargo de secretário municipal de Saúde. Oficialmente, o secretário está em férias, mas na Prefeitura já é dada como certa sua substituição pelo vice-prefeito Eliseu Santos. Na lógica de Fogaça, Gus não tava bom, portanto, não fica. Difícil desta vez será convencer os porto-alegrenses que o polêmico ex-deputado/pastor do PTB vai dar certo na nova função. Afinal, o currículo de Eliseu nem de longe se compara ao de Gus, sua relação com a categoria é marcada por desentendimentos contínuos e, definitivamente, ele não está acima dos partidos.

Fonte: RS Urgente

Homenagem aos 40 anos do albúm Sgt. Pepper's dos Beatles

Hey Bulldog

Yellow Submarine

Lucy in the Sky with Diamonds

Ocupação da reitoria da USP: Símbolos e possibilidades

A recente ocupação da reitoria da USP por estudantes da universidade chamou a atenção e repercutio na grande mídia de todo o país. Como poucas vezes vemos uma ação do movimento estudantil ter recentemente causado tal “barulho”.
Isso leva alguns a afirmarem se essa ação seria um “renascimento” do movimento estudantil. Esta afirmação é errada por um lado, visto que os estudantes nunca deixaram de se organizar, se mobilizar e reivindicar melhorias no ensino e no Brasil e por outro lado, é verdadeira. Já que o movimento estudantil, desde as mobilizações do Impecheament do Collor, não tem atingido a mesma mobilização de massas e impacto na sociedade. Causando em alguns a impressão de que havia uma “paralizia”. Mas por que isso acontece?

O movimento estudantil após a queda do Collor viveu um de seus períodos mais difíceis. Onde o país mergulhava na “onda neoliberal”, onde a noção de Estado e direitos sociais passaram a ser postas em xeque. O que teve efeitos negativos em praticamente todos os movimentos sociais no Brasil. O que gerou uma mudança na pauta política, voltando-se muito mais para uma resistência e busca da manutenção de conquistas e direitos. Causando um forte refluxo no movimento, pois, se no “Fora Collor” os estudantes haviam partido para uma política ofensiva e obtido uma “vitória”, logo depois, teve de usar suas força para tentar defender os ataques as suas conquistas anteriores, como por exemplo, a política de desmonte das universidades públicas e a manutenção do caráter público e gratuito das universidades federais.

Mas também é verdade que os estudantes poucas vezes têm espaço nos grandes veículos de comunicação. Seja para expor sua situação e suas atividades e mobilizações. O movimento estudantil também cometeu os seus erros, é verdade. Como o fato de não ter conseguido romper esse bloqueio com mais freqüência. E de não ter gerado pautas e ações políticas que reencanta-se e organiza-se uma gama maior de estudantes.

Deste ponto de vista a ocupação dos estudantes na reitoria da maior universidade pública do país por um longo período pode ser um símbolo de uma nova fase no movimento estudantil. Mas esta fase não se iniciou nesta ocupação e nem se encerrará nela. Mas sim, se insere em um novo período em que o movimento passa não a ficar apenas na resistência, mas sim em buscar conquistas. E nesta conjuntura, medidas como as anunciadas pelo Governo Serra, que atingiriam duramente a autonomia universitária é inaceitável. É por isso que o movimento tem força e é por isso que se abre a possibilidade de ter ainda mais no próximo período.