Bancários protestam e prometem ir à Justiça em defesa do Banrisul

Ao som da música Céu, Sol, Sul, Terra e Cor, do cantor nativista Leonardo Ribeiro, funcionários do Banrisul, bancários de todo Estado, dirigentes sindicais e parlamentares protestaram na manhã desta segunda-feira (30), ao lado da agência central da instituição, no centro de Porto Alegre, contra a ameaça de privatização do Banco do Estado do Rio Grande do Sul. Enquanto transcorria a manifestação, foi iniciada a assembléia dos acionistas da instituição, convocada para debater mudanças no estatuto do banco. O Sindicato dos Bancários de Porto Alegre (SindBancários) e Federação dos Bancários RS (Feeb-RS) confirmaram que ingressarão na Justiça, caso as alterações dando mais poder para detentores de ações preferenciais sejam aprovadas.

O líder da bancada do PT, deputado Raul Pont, que acompanhou o ato, frisou que o partido continuará pautando este tema no plenário e nas comissões da Assembléia, alertando o povo gaúcho de que o banco estadual corre o risco de ser vendido. “Estamos frente à possibilidade de mais um estelionato eleitoral. A governadora Yeda Crusius se elegeu prometendo preservar e fortalecer o Banrisul e, agora, prepara a entrega de mais este patrimônio público à iniciativa privada”, condenou Pont.

O presidente do Sindicato dos Bancários, Juberlei Bacelo, disse que a categoria está indignada e disposta a barrar “mais este ataque ao patrimônio público”. Conforme ele, a campanha contra a venda da instituição será intensificada com protestos pelo interior do Estado, que estão sendo organizados pelo Comitê em Defesa do Banrisul, lançado no último dia 21. “Vamos construir uma grande luta, resgatando o espírito que sempre norteou o povo gaúcho, que nunca mediu esforços para defender seus interesses”, garantiu o sindicalista.

Segundo Bacelo, o Banrisul é um dos últimos bancos estaduais que permanece público, prestando uma função social e ainda repassando dividendos ao governo estadual. “É por isso que estão querendo meter a mão no banco. Nos últimos quatro anos, o Banrisul entregou ao governo R$ 711 milhões, fruto da lucratividade da instituição. Portanto, o banco está fazendo a sua parte para colaborar na superação dos problemas de caixa do Estado. Não adianta o governo dizer que vai manter o controle acionário com o Estado, pois, ao lançar ações no mercado, o perfil de atuação do banco pode ser modificado, com prejuízos para toda a sociedade gaúcha”, apontou o presidente do sindicato.

No final do ato, os manifestantes soltaram balões pretos em sinal de luto.

Por Luciane Fagundes - Assessoria de Imprensa da Bancada do PT na AL

Raul Seixas - Eu também vou reclamar

Um grande clássico do mestre Raul Seixas: Eu também vou reclamar

Situação é mais grave que no governo Fernando Henrique, diz CUT

André Barrocal – Carta Maior


A Central Única dos Trabalhadores (CUT) acredita que hoje, mesmo com vários setores do governo saídos do sindicalismo, o trabalho está mais frágil para resistir ao avanço contra direitos históricos, do que na gestão do ex-presidente Fernando Henrique. O motivo seria a diversidade ideológica de partidos aliados do presidente Lula (segmentos à direita estariam em condições de arrancar concessões) e a unidade dos principais partidos de oposição, PSDB e PFL, em torno do interesse empresarial. “O momento é pior, é mais grave do que quando tentaram mexer no artigo 618 da CLT”, diz o secretário-geral da CUT, Quintino Severo.

Em 2001, o governo FHC mandou ao Congresso projeto que fazia uma reforma trabalhista ao gosto patronal, ao mudar o artigo 618 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). A proposta dizia que um acordo entre empresários e empregados valeria mais do que direitos garantidos em lei.

O projeto chegou a ser aprovado na Câmara, apesar da pressão das centrais sindicais, mas empacou no Senado. Era de autoria do então ministro do Trabalho, Francisco Dornelles. Hoje, Dornelles é senador e integra a base de sustentação do governo Lula, num exemplo ilustrativo da diversidade ideológica do campo governista apontada pela CUT como um problema para os trabalhadores. “A direita está aproveitando para explorar essa coalizão. Tudo o que conseguir, será lucro”, afirma Severo.

Quem participa da coalizão, mas pela esquerda, tem diagnóstico parecido sobre a ameaça que a pluralidade representa para os trabalhadores. “Este é um governo do PT, dos aliados, mas é um governo em disputa. Ainda há vozes que advogam o neoliberalismo”, afirma o deputado federal Geraldo Magela (PT-DF).Para Severo, será inevitável que o governo faça algum tipo de concessão ao empresariado porque a chamada emenda 3 foi longe demais – aprovada com folga no Congresso, pode agora ser restabelecida pelos parlamentares, apesar do veto do presidente Lula.

Aliás, a “emenda 3” ganhou vida no ano passado pelas mãos de um parlamentar que apoiava o governo, o então líder do PMDB no Senado, Ney Suassuna (PB), em mais um exemplo da captura do governo por uma base heterogênea. Além disso, a emenda foi aprovada com a ajuda de grande parte de parlamentares governistas.

Mais uma vitória do Grêmio

As coisas as vezes são no mínimo curiosas no futebol, em menos de uma semana a "gangorra" do futebol mudou por completo aqui no Rio Grande do Sul. Antes, o Grêmio era o time desacreditado, com um elenco de jogadores que seria no máximo razoável e que estaria apenas fazendo um exercício de superação.
De outro um time que era o atual campeão da Libertadores e do Mundial, com um elenco de "craques", que até os terceiros reservas seriam melhores que o restante das equipes do estado e que estaria fadada ao título. Pois que ontem, em uma partida difícil, o Grêmio se consagra e mais uma vez faz valer a sua história e trajetória de time "copeiro", que cresce nas decisões como nenhuma outra equipe. Tínhamos uma tarefa que não era nada fácil, que era de garantir uma vitória sobre a boa equipe do Cerro Porteño para garantir a classificação para a próxima fase da Libertadores da América.
Mesmo com uma arbitragem desfavorável, que chegou ao cumulo de anular um gol legal, o Grêmio venceu por 1 x 0 com um gol do jovem atacante Everton, que entrou no lugar de Nunes aos 19 minutos do segundo tempo, para se consagrar como o herói da partida. E o Grêmio assim, se classifica como primeiro do grupo e segue na luta pelo título da competição.
Ironia ou não do destino, a outra equipe da capital que estava disputando como franca favorita não conseguiu passar adiante e entra em crise. E assim, o tricolor mais uma vez seguirá o curso dos títulos, demonstrando mais uma vez uma velha máxima do futebol: que favoritismo não garante títulos e que a camisa e a mística de uma equipe tem o seu peso e, algumas vezes, faz a diferença.

O espírito da Marselhesa


Flávio Aguiar

Produzido em 1942, o filme Casablanca, com Humphrey Bogart, Ingrid Bergman e mais grande elenco, dirigido por Michael Curtiz, estréia no Brasil no ano seguinte, em 1943. O Brasil já declarara guerra ao Eixo. No filme, um refugiado tcheco (Victor Lazlo) com a mulher (Ilse Lund) se refugia em Casablanca, no Marrocos, então colônia francesa. Lá Ilse encontra Rick, soldado da fortuna encalhado num café, o Rick's, o mais importante da cidade. Rick e Ilse tinham se enamorado em Paris, quando ela, fugitiva, pensava que Victor fora assassinado na tortura pelos nazistas. Mas no momento em que ambos decidem fugir da França ocupada, Ilse descobre que Victor está vivo, e fica com ele. Rick, sem saber o que está acontecendo, foge amargurado, na companhia do fiel pianista Sam: ele lutara na Guerra Civil Espanhola, e seria morto pelos nazistas, prestes a tomar Paris. Casablanca está sob o governo de Vichy, os nazistas estão em toda a parte. Victor quer fugir para a América, Ilse redescobre sua paixão por Rick, Rick termina por redescobri-la também, enfim, para quem viu, um melodrama inesquecível, para quem não viu, o convite para que corra à loja mais próxima e compre, não alugue, o seu DVD.


Há uma cena antológica, entre as muitas do filme, que quero recordar aqui: no café de Rick encontram-se oficiais nazistas, o dono, Ilse, Victor, uma garota de programa (antigamente o nome era outro) que saía com um oficial alemão, o chefe de polícia francês e corrupto, Sam, enfim, todo mundo e mais alguns passantes. Os oficiais nazistas começam a cantar canções marciais; num ímpeto, Victor se põe diante da orquestra do café e manda que toquem a Marselhesa. Com um aceno de cabeça Rick consente (Acho que ele já queria impressionar Ilse de novo. Ou estaria se lembrando de seu passado ainda recente nas brigadas internacionais, lutando do lado republicano na Espanha, contra os fascistas? Ou tudo junto incluído?). A orquestra puxa o hino francês e de todas as revoluções no mundo (talvez até mais do que a Internacional: os socialistas e comunistas, inclusive eu, que me perdoem), as notas enchem o café, todos cantam, inclusive a garota de programa que com esse gesto rompe com o oficial nazista que a acompanhava. Durante alguns minutos trava-se uma batalha musical no café, entre as canções nazistas e a Marselhesa, tão importante quanto as batalhas aéreas naquele momento entre a Luftwaffe e a British Royal Air Force no Canal da Mancha, ou aquela entre soviéticos e nazistas em Stalingrado. Afinal, vencidos, os nazistas cedem o espaço aéreo para a Marselhesa, e em todo o café (que será imediatamente fechado) ecoam gritos de Vive la France!





No Brasil, nesta cena, as platéias dos cinemas em 1943 se levantavam o cantavam junto a Marselhesa, e quando ecoavam os Vive la France! na tela, o mesmo grito de liberdade ecoava nas platéias, eletrizante e eletrizando-as.


É esse espírito da Marselhesa que precisamos reerguer das cinzas do desânimo, agora que se trava nova batalha fundamental para a humanidade entre Ségolène Royal e Nicolás Sarkozy nas ruas de Paris e de toda a França. Não devemos de modo nenhum enfraquecer o espírito crítico, deixar de observar as capacidades e incapacidades políticas das lideranças e frentes contendoras à direita e à esquerda. Mas também não adiante ficar choramingando ou esbravejando (no fundo é a mesma coisa) que Ségolène não é Rosa Luxemburgo nem a célebre Dolores Ybarruri, a célebre Pasionaria do Exército Republicano, que imortalizou frases como “no pasarán” e “é preferível morrer de pé do que sobreviver de joelhos”. Até porque porque se Ségolène, e é verdade, não é a sonhada Rosa do Povo, Sarkozy de fato é Sarkozy, um político que sabe ser habilidoso e truculento nas suas declarações, que neste momento catalisa o mais odioso ideário de direita na Europa e no mundo, mobilizando inclusive a Sombra racista que nunca abandonou completamente o Velho Mundo.


Um novo painel simbólico se agita na Europa. É certo que as políticas das sociais-democracias foram se aproximando mais e mais das balizas neoliberais depois da retumbante queda comunista. Isso ajudou a criar aquela sensação de dissolução, cantada na mídia em prosa e versa, da “direita” e da “esquerda”. Isso de “esquerda” e “direita” parecia coisa da “América Latina atrasada”, a “América Latina de poncho e conga”, como já se disse por aqui (pra quem não sabe ou esqueceu “Conga” era um tipo de tênis muito comum entre os jovens da década de 60), da América Latina às voltas com esses “dinossauros” da história, como Chávez, Fidel, Evo, etc. Na Europa o espírito de 68, chamado internacionalmente de “soixante-huitard”, “sessentaeôitico”, o espírito da Marselhesa, a polarização decisiva, o reconhecimento de que há momentos decisivos em que batalhas decisivas se dão, fora dado como morto, peça de museu, nostalgia embrulhada em brumas dos que se preparam para suas batalhas decisivas com seus planos de saúde.





Mas algo muda, e a polarização francesa aponta para isso. Zapatero, o primeiro ministro espanhol, e Prodi, o italiano, já deram seu apoio a Ségolène; Angela Merckel, a alemã, conservadora, apóia Sarkozy. Grande parte da esquerda francesa anuncia seu apoio a Ségolène. Pode ser um apoio crítico de tantos graus a bombordo, a estibordo ou aquele bordo, não importa. A Europa se latino-americaniza um pouco neste momento. Podemos até perder esta eleição. Mas o mais importante é retirar do sarcófago da história o espírito de luta, o espírito de solidariedade internacional, o espírito da Marselhesa que ressoava nos cinemas brasileiros e no mundo inteiro naquele longínquo 1943.

Publicado originalmente em: www.cartamaior.uol.com.br

Humor


Autor: Bira Dantas

Chávez; Morales e Alberto Granado inauguram escola de Medicina

Os presidentes da Venezuela, Hugo Chávez, e da Bolívia, Evo Morales, inauguraram neste domingo (15), no Estado Miranda, a sede venezuelana da Escola Latinoamericana de Medicina Alejandro Próspero Reverend (ELAM).

A ELAM-Venezuela é parte dos acordos da Alternativa Bolivariana para as Américas (ALBA) firmado entre Chávez e presidente cubano, Fidel Castro, em agosto de 2005. “O país mais agredido pelo Império é o país mais solidário com os povos. O companheiro Fidel para mim é o primeiro médico do mundo. Os EUA mandam tropas para acabar com vidas, Cuba manda tropas para salvar vidas”, afirmou o presidente boliviano, Evo Morales, durante a inauguração da Escola.

”Quando os povos se libertam ajudam a libertar outros povos”, reiterou Morales. Fortalecida pelo governo da Bolívia e por organizações sociais camponesas e urbanas latino-americanas, a ELAM pretende formar em medicina integral comunitária 200 mil jovens da América Latina e Caribe em um período de 10 anos.

Em Cuba, a ELAM abriga atualmente a 22, 600 mil estudantes da América Latina, de um total de mais de 24 mil provenientes de outros 86 países, conforme informou Fidel Castro em um comunicado enviado à Chávez.

Medicina comunitária

“Estamos aqui para aprender medicina comunitária, socialista e humanitária, como nos ensinou o Che (Guevara). Ao terminar nossos estudos, temos o compromisso de trabalhar em nossas comunidades”, disse o aluno boliviano David Aguilar, durante a inauguração da ELAM.

Nesta primeira etapa, iniciarão seus estudos 456 jovens latino-americanos, dos quais a grande maioria será de bolivianos. Os alunos participarão de uma primeira fase de preparação e adaptação, para depois seguirem à formação pré-médica.

Nos anos posteriores de formação, os estudantes deverão integrar o Sistema de Saúde Pública e o programa social de saúde, Missão Bairro Adentro, no qual participam mais de 20 mil médicos cubanos, que atendem às comunidades pobres da Venezuela. A duração do curso é de sete anos.

Alberto Granado, companheiro de Guevara em sua primeira viagem pelo continente Latinoamericano e fundador da Escola de Medicina de Santiago de Cuba, também participou da inauguração da ELAM. “A presença de Evo e Chávez é sinal de que estamos avançando, que já não é sonho o que pensávamos o Che e eu. Agora estamos concretizando os sonhos de Bolívar, de Martí e do Che”, disse Granado, aplaudido pelos alunos da ELAM.

Do Brasil, 80 alunos provenientes de organizações como o Movimento Nacional de Luta por Moradia, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), a Central de Movimentos Populares (CMP), entre outros movimentos, ingressaram à Escola.

"Com gestos concretos como esse é que vamos construindo a verdadeira integração, com a participação dos povos, a partir da base", avalia Joaquin Piñero, membro da Vía Campesina, um das organizações que participaram do evento. O presidente venezuelano, Hugo Chávez, quem aproveitou para ressaltar a fragilidade do império estadunidense frente à integração latinoamericana, afirmou que a ELAM também será uma escola de formação socialista.

“ Não é somente formação de medicina. Aqui estamos formando em socialismo, formação da mulher e do homem novo”, afirmou o presidente venezuelano. Para incentivar a integração dos alunos, a pedido de Hugo Chávez, Fidel Castro anunciou, em um comunicado, que 200 alunos cubanos deverão integrar o primeiro grupo de estudantes.

Para os movimentos sociais, a ELAM assim como o Instituto Latinoamericano de Agroecologia Paulo Freire (IALA), com sede em Barinas (Venezuela), são importantes para fortalecer a formação dos movimentos sociais, do campo e da cidade. “Estamos fortalecendo a luta contra as desigualdades sociais, em busca da justiça social”, afirma Piñero, da Vía Campesina

Gilberto Gil e Chico Buarque - A Mão da Limpeza

Gilberto Gil e Chico Buarque cantam uma canção de autoria do primeiro presente no disco RAÇA HUMANA de 1984. Crítica social contundente num vídeo de humor peculiar.

Grêmio faz 4 x 0 e vai para a final

Parecia impossível, mas o Grêmio mais uma vez se superou e contrariou a todas as expectativas (ditas) realistas.
O Grêmio precisava fazer 4x0 para poder chegar a final do campeonato gaúcho, pois havia jogado muiito mal a partida anterior e sofreu 3 x 0. Com gols de Patrício, Tcheco, Diego Souza e Tuta, o Tricolor massacrou o Caxias e mostrou que futebol se ganha dentro de campo e não por antecipação.
Havia toda uma pressão sobre o time do Grêmio, pois além de reverter um placar adverso havia a pressão do Inter ter sido desclassificado um dia antes na Libertadores, cabia ao tricolor tentar mais uma vez afirmar a sua superioridade no futebol gaúcho. E conseguiu, agora é esperar o adversário e construir mais um título para o imortal tricolor.

FHC e pais do Real se calam sobre denúncia feita por Nassif

O presidente Fernando Henrique Cardoso e dois dos "pais" do Plano Real responderam com silêncio absoluto à acusação, feita pelo jornalista Luís Nassif, de que houve manipulação do câmbio em 1994/95 com o objetivo de favorecer com "centenas de milhões de dólares" o banco Matrix, do qual foram sócios os tucanos André Lara Resende e Luís Carlos Mendonça de Barros.

O site Terra Magazine publicou uma entrevista com Nassif na segunda-feira (16). Nela, o jornalista, autor do recém-lançado livro Os Cabeças-de-Planilha - Como o Pensamento Econômico da Era FHC Repetiu os Equívocos de Rui Barbosa, fez um ataque direto a Lara Resende. "Eles (os formuladores do Real) tomaram um conjunto de medidas técnicas cuja única lógica foi permitir enormes ganhos para quem sabia para onde o câmbio ia caminhar. E o grande vitorioso desse período é o André Lara Resende, um dos formuladores dessa política cambial."

Referindo-se à sobrevalorização do Real, Nassif responsabilizou FHC pela "perpetuação do erro" e o qualificou como "presidente vacilante e com pouca visão de futuro".

Na mesma segunda-feira, Terra Magazine procurou Lara Resende, FHC e Gustavo Franco, um dos presidentes do Banco Central durante o governo do tucano. O primeiro vive hoje em Londres, mas mantém uma secretária no Brasil. Ela disse que repassaria a seu chefe o link da entrevista, mas não deu garantia de retorno, alegando que ele "viaja muito". Franco e FHC foram procurados por intermédio de suas assessorias de imprensa e, passadas 48 horas, não se manifestaram.

Leia a seguir alguns comentários do livro de Nassif sobre os economistas que formularam o Real e/ou trabalharam na sua implementação:

"(...) Nos meses que antecederam a implantação da nova moeda, Winston Fritsch reuniu-se reservadamente em São Paulo com instituições financeiras internacionais, praticamente fornecendo o mapa da mina da apreciação do real. (...) Um dos presidentes de instituição estrangeira presente no encontro me contou a surpresa deles ao ver um membro do governo passando o mapa da mina cambial. Seu banco entrou no jogo, ganhou bastante, mas não tanto quanto os que tinham plena certeza de que aquele movimento não seria revertido naquele ano."

"André Lara Resende via o plano como uma forma de enriquecimento e ascensão social. Depois de enriquecer com o Real, realizou sonhos adolescentes de comprar cavalos de corrida - que transportou de avião para Londres, quando resolveu passar uma temporada por lá."

"Gustavo Franco era o ideólogo, mas casava com brilhantismo conhecimentos históricos, teóricos e de mercado. (...) Seus passos tinham como um dos objetivos centrais sepultar, varrer do mapa a estrutura industrial moldada no período de protecionismo e impor o primado do capital financeiro, com o voluntarismo que caracteriza todo jovem acadêmico quando no poder. Logo no início do Real, aliás, o Garantia abriu uma ação contra o governo, questionando os critérios de conversão dos títulos cambiais, da URV para o dólar. (...) Jamais o banco havia questionado uma medida que fosse do BC. A muitos pareceu um fogo de encontro, para vender a idéia de que não se estaria se beneficiando do fato de ter, entre seus sócios, o pai de Gustavo."

"De Pedro Malan não há registro sobre opiniões que tenha manifestado ao longo dos meses em que foram definidos os princípios do novo plano. Permaneceu oito anos equilibrando-se com o subsídio apertado de ministro. Apenas quando saiu conquistou um alto cargo no Unibanco."

"Os economistas do Real haviam sido os economistas do Cruzado. Lá, aprenderam duas características desses planos. Uma, as extraordinárias possibilidades que se abriam nos mercados de derivativos, devido à falta de
clareza sobre os próximos passos dos mercados. Quem está no governo tem o controle do processo porque cabe a ele definir as regras do jogo e prever suas conseqüências. Além disso, há uma dupla blindagem para suas ações: aquela decorrente do clima cívico que se seguia a qualquer plano de estabilização, e o desconhecimento da opinião pública em geral sobre as complexidades dos mercados de derivativos."

Costa Rica: Governo cede aos EUA e articula consulta por TLC

O governo da Costa Rica enviou para o Congresso na última terça-feira (17) o texto oficial que pede a realização de uma consulta popular na qual os cidadãos do país vão decidir se querem ou não ratificar o Tratado de Livre Comércio (TLC) com os Estados Unidos, República Dominicana e quatro países da América Central.

De acordo com a imprensa presidencial, serão necessários 29 votos para que o pedido seja validado diante do Tribunal Supremo de Eleições. O órgão, por sua parte, já afirmou positivamente sobre a possibilidade de se rever o contrato que foi assinado em agosto de 2004 pela Costa Rica, através da consulta popular.


Ainda que a oposição tenha se manifestado contrária à iniciativa, o ministro da Presidência, Rodrigo Arias, afirmou que está totalmente descartada a possibilidade de a ratificação do tratado ser levada primeiro para as instâncias maiores, antes de que o eleitorado se manifeste pelo "sim" ou "não".


A idéia é que, passando pela votação, o plebiscito seja realizado em agosto deste ano. O país tem até março de 2008 para decidir se assinará ou não o tratado comercial.


Agência Adital

Convit.e

MP contestará outorga aprovada por deputado dono de canal

O procurador da República no Distrito Federal, Rômulo Moreira Conrado, afirmou que o Ministério Público Federal (MPF) vai tentar anular na Justiça votações em que deputados da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática que são donos ou dirigentes de emissoras de rádio e TV deliberaram sobre a renovação da própria concessão. Os envolvidos, segundo o procurador, serão processados pelo MPF por improbidade admininstrativa.

O Código Brasileiro de Telecomunicações (Lei 4117/62) proíbe que parlamentares sejam diretores ou dirigentes de emissoras de rádio e TV. A Constituição, por sua vez, não permite que deputados e senadores tenham contrato com concessionária de serviço público, caso das emissoras. Rômulo Moreira Conrado afirmou que parlamentares aproveitam a brecha da legislação, que não os proíbe expressamente de figurarem como sócios de emissoras, para controlar esses veículos de comunicação "a fim de se beneficiarem eleitoralmente".

Representação
As investigações que, de acordo com Conrado, vão culminar em ações a serem ajuizadas dentro de 90 dias originaram-se de representação do Instituto para o Desenvolvimento do Jornalismo (Projor), entidade mantenedora do site Observatório da Imprensa, oferecida contra os deputados à Procuradoria-Geral da República. Estudo do Projor apontou que, entre 2003 e 2004, 33 integrantes da Comissão de Ciência e Tecnologia, incumbida de votar renovação e concessão de outorgas de rádio e TV, eram sócios ou dirigentes de empresas do setor.
Coordenador do estudo, o professor da Universidade de Brasília (UnB) Venício Artur de Lima disse que, em 2003, 16 integrantes da comissão aparecem no cadastro de concessionários de emissoras do Ministério das Comunicações como sócios ou diretores de 37 concessionárias - 31 de rádio e seis de televisão. Em 2004, os nomes de 15 deputados da comissão figuravam no cadastro do ministério, sendo que seis deles não constavam do levantamento anterior.
O professor afirmou que o levantamento só se tornou possível a partir de 2003, quando o cadastro passou a ser publicado. "Antes, se você quisesse saber os nomes dos donos de uma emissora de rádio ou de TV, você tinha que ir ao cartório. Não havia acesso público", disse.

Por ampla maioria, povo decide por Assembléia Constituinte no Equador

O "sim" para instalar uma Assembléia Constituinte no Equador vai ganhar com 78,1% frente a 11,5% do "não", segundo uma pesquisa de boca-de-urna da empresa Cedatos. Para que a convocação da Assembléia Constituinte seja aprovada, o "sim" precisa ganhar por maioria absoluta dos votos válidos, ou seja, 50% mais um.


O presidente do Equador, Rafael Correa, reunido com seus colaboradores em um hotel da cidade de Guayaquil, recebeu com otimismo a notícia e a televisão o mostrou no momento em que aplaudia os resultados e abraçava a secretária de Comunicação, Mónica Chuji.

O dia de votação transcorreu com normalidade, segundo o presidente do Tribunal Supremo Eleitoral (TSE), Jorge Acosta, e sem notícias sobre grandes incidentes.

Os incidentes mais freqüentes aconteceram por conta do atraso na instalação de muitas mesas de votação em todo o país devido à ausência dos responsáveis pelas juntas eleitorais, que foram substituídos pelos primeiros cidadãos que apareceram para votar.


Os objetivos do presidente Rafael Correa com a nova Constituição (a última Constituição é de 1998) são os mais ambiciosos possíveis: ele quer reconstruir, a partir do zero, toda a estrutura institucional, política e econômica do Equador. Se, como as pesquisas indicam, o "sim" for vitorioso na consulta popular, Correa terá sua maior vitória política desde que assumiu o governo em 15 de janeiro.

Correa qualificou a consulta de "histórica", pois sustenta que ela permitirá ao Equador implantar uma mudança profunda das estruturas do Estado e "resgatá-lo" do que chama de "a longa e triste noite neoliberal". As mudanças pretendidas por Correa prometem revolucionar as estruturas de poder no país, levando-o mais para a esquerda em consonância com as mudanças que estão sendo observadas em vários países da região, sobretudo na Venezuela de Hugo Chávez, com quem Correa mantém estreitos laços de amizade.

Os equatorianos que compareceram às urnas responderam "sim" ou "não" à pergunta: "Você aprova que uma Assembléia Constituinte com plenos poderes, de conformidade com o estatuto eleitoral que será substituído, seja convocada e instalada para transformar o marco institucional do Estado e elaborar uma nova Constituição?".

No sábado, o presidente advertiu que mais uma das batalhas de seu projeto será decidida na eleição dos participantes da assembléia para a Constituinte.

Se o "sim" ganhar, Correa disse que na escolha dos participantes da assembléia - que acontecerá em aproximadamente mais cinco meses - caberá ao povo "diferenciar entre os hipócritas e as pessoas que a única que querem é o bem comum e uma pátria nova para todos".

"Nós, os integrantes do Governo, somos simples instrumentos do poder cidadão; estamos dando ao povo a oportunidade de levar o país para frente", afirmou Correa.

Clara Nunes - Morena de Angola

Video Clipe de Clara Nunes para a música Morena de Angola, de 1980.

A queda de Bacci: repercussões

No dia seguinte a queda do Secretário de Segurança Ênio Bacci, é grande a repercução sobre quais seriam os motivos que levaram a sua queda. Há uma série de versões e informações que dão conta de problemas graves envolvendo o tema da corrupção na segurança pública gaúcha.

Hoje (12/04), em entrevista coletiva, Bacci se defendeu argumentando ter entregue um dossiê à governadora Yeda Crusius (PSDB) com detalhes sobre essas denúncias. Bacci pediu desculpas às corporações policiais por ter utilizado o termo “banda podre” dias atrás, mas, logo em seguida, mencionou episódios que confirmariam a existência, de fato, de uma banda podre nas polícias gaúchas.

O blog RS Urgente, noticia ainda que: o ex-secretário afirma que “Não existe banda podre. O que existe é policiais compactuados com o crime organizado”, declarou. Ou seja, disse: não existe o seis, o que há é o meia dúzia.

A entrevista de Bacci foi contraditória em vários pontos. Em um dado momento, ele disse ter afastado o delegado Luiz Carlos Ribas, que trabalhava como chefe de gabinete informal da secretaria, ao tomar conhecimento de acusações contra o mesmo. Destacou que fez o mesmo em relação ao seu motorista, um PM que está preso em Lajeado, investigado por envolvimento com tráfico de drogas. Indagado sobre sua ligação com tais assessores desde o início do governo, disse que o fato de alguém estar sendo processado não era razão para não assumir um cargo. O próprio comandante da Brigada Militar sofreu um processo, exemplificou. Ora, se o fato de alguém estar sendo processado não é razão para demissão, por que o é o fato de alguém sofrer uma acusação, algo que vem antes do processo? Se o maior (o processo) não é razão por que o menor (a acusação) é? A lógica do “parecer honesto” deveria valer então principalmente para alguém que está sofrendo um processo.

O secretário demitido bateu forte em Yeda. Insinuou que ela foi desleal (durante a campanha teria oferecido um cargo à neta de Brizola, Juliana, no Palácio Piratini; “até hoje ela não está no palácio”), vaidosa e autoritária. Além disso, levantou suspeitas sobre dois contratos mantidos pelo governo do Estado. Um que contratou uma empresa de segurança privada para trabalhar na vigilância do prédio da Secretaria da Segurança (um contrato que custa R$ 2 milhões por ano ao Estado). E outro que contratou uma empresa privada para fazer a limpeza em delegacias (no valor de R$ 6 milhões ao ano). Segundo Bacci, policiais do interior declararam que eles mesmo são obrigados a fazer a limpeza nas delegacias. Diante de tais acusações, aguarda-se a resposta do Palácio Piratini, que tem em mãos muito mais informações sobre a crise que derrubou Bacci do que aquelas que vieram á tona até agora. O ventilador está ligado. Há uma bomba-relógio armada, prestes a explodir."


Qual o envolvimento (ou conivência) do ex-secretário com atos envolvendo corrupção e qual a participação (ou conivência) do Governo Yeda, apenas as investigações irão nos dizer. Mas um acontecimento de ontem, no anúncio da demissão de Bacci não deixa de guardar um simbolismo curioso. Em foto publicada na Zero Hora de hoje, um militante do PDT beija a mão de Bacci, numa atitude que não deixa de guardar sua semelhança com o gesto de respeito e reverência das famílias mafiosas italianas aos chefes das "famílias". Coincidência apenas?

Humor


Autor: Quino

Cai o secretário de segurança Ênio Bacci

Conhecido nos seus pouco mais de 2 meses a frente da Secretária de Segurança do Governo do Estado, Ênio Bacci, por sua política de segurança voltada muito mais para pirotecnias do que para ações efetivas, por um discursso estremamente conservador e senso comum sobre como combater bandidagem e proteger os homens de bem, não resistiu a crise dos ultimos dias e deixa a Secretaria de Segurança do Rio Grande do Sul.
Enio Bacci (PDT) o comunicado da demitissão foi governadora Yeda Crusius a Bacci pouco depois das 20h30min desta quarta-feira. Boatos circularam de que haveria um suposto envolvimento do ex-secretário com cobrança de propinas envolvendo bingos e caça-níqueis. Na manhã desta quinta-feira, às 10h, Bacci comentará a sua saída do governo em uma entrevista coletiva.
Amanhã traremos novas informações.

Amor Bastante


quando eu vi você

tive uma idéia brilhante

foi como se eu olhasse de dentro de um diamante

e meu olho ganhasse

mil faces num só instante


basta um instante

e você tem amor bastante


um bom poema

leva anos

cinco jogando bola,

mais cinco estudando sânscrito,

seis carregando pedra,

nove namorando a vizinha,

sete levando porrada,

quatro andando sozinho,

três mudando de cidade,

dez trocando de assunto,

uma eternidade, eu e você,

caminhando junto


Paulo Leminsk

Como sair do labirinto neoliberal?

Emir Sader

O neoliberalismo é um labirinto. Uma vez que se aceite cruzar seus corredores, não se sai deles. As alternativas são dadas dentro do próprio labirinto. Taxas de juros menores? Superávit fiscal menor? Desvalorização do real? Todos são objetivos – por meritórios que sejam – internos ao modelo, ao labirinto.Como se sai de um labirinto? Por cima. Saindo de seus corredores, redefinindo o sentido das políticas de governo.

No nosso caso, retomar o desenvolvimento econômico e social como norte fundamental do governo, em função do qual tem que redefinir seu papel as outras políticas de governo. Significa ter uma política monetária subordinada a esse objetivo estratégico e, portanto, terminar com a independência real que assumiu o Banco Central. Significa definir metas sociais, com acompanhamento regular de uma comissão com participação dos movimentos sociais, para controlar os passos do governo e contribuir para sua realização.

Mas para sair do labirinto, é preciso retomar pelo menos dois temas, até aqui desconhecidos ou subestimados: o tema do Estado e o do imperialismo. Retomar o tema do Estado é redefinir sua função indutora das políticas de governo, explicitamente, não para fortalecer seu aparato em si mesmo, mas para fortalecer a dimensão pública do Estado.

Provavelmente será necessária uma nova Assembléia Constituinte, que refunde o Estado brasileiro, desmercantilizando-o e refundando-o em torno da esfera pública e dos interesses da maioria da população, para o qual será indispensável introduzir na Constituição a questão do Orçamento Participativo.

O outro tema é o da hegemonia imperial no mundo, com todas duas dimensões: dominação econômica, tecnológica, política, militar, cultural. Da mesma forma que temos que sair da dominação do reino do dinheiro, saindo do modelo neoliberal, temos que trabalhar ativamente – a começar por fortalecer os processos de integração regional -, mas também trabalhar, dentro e fora do Brasil, na luta contra a hegemonia imperial.

Assumir que o imperialismo é o elemento mais determinante no mundo contemporâneo, que sem essa compreensão não se pode compreender os temas fundamentais do mundo, da América Latina e do Brasil e atuar nessa direção.

É nessa direção que podemos dizer que estaremos rompendo com o neoliberalismo e sua lógica mercantil e imperial.

Yeda gera crise ao indicar chefias da TVE

Nota publicada no site de Políbio Braga, fala da crise aberta na TVE: “Mal assumiram seus novos cargos e já estourou a primeira crise na TVE do Rio Grande do Sul, porque o diretor Técnico, Higino Germani pediu demissão. Germani, ex-Rádio Nacional, de Brasília, saiu do cargo nesta quarta-feira, porque não concordou com as indicações da governadora para os postos-chaves da emissora. As indicações de Yeda também contrariaram o Conselho de Administração da Fundação Piratini, que está tiririca. Isto porque a governadora não os consultou, tampouco submeteu os nomes à apreciação do Conselho para uma sabatina, já que, entre outras coisas, esta é uma de suas funções. As maiores queixas são contra o diretor geral (Mucles) e o diretor de Programação (Leo Gerchmann)”.

Centrais discutem greve de advertência contra Emenda 3

As sete centrais sindicais brasileiras se reunem nesta quarta-feira (4) para decidir os próximos passos da mobilização para garantir a manutenção do veto presidencial à emenda 3 da Super Receita.

Os trabalhadores pretendem fazer uma grande greve de advertência no próximo dia 10. Na plenária desta quarta, que acontece no Sindicato dos Bancários de São Paulo, eles vão definir como será a paralisação, quantos setores e quantas empresas estarão envolvidas no movimento.

Participam da plenária a CUT, a CGTB, a CGT, a SDS, a CAT, a Nova Central e a Força Sindical.

Precarização

Aprovada pela Câmara dos Deputados, a emenda 3 impede o governo de fiscalizar as empresas que contratam funcionários como se fossem pessoas jurídicas - mecanismo usado para burlar o pagamento de direitos trabalhistas e de obrigações previdenciárias.

A emenda foi vetada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas muitos parlamentares ameaçam derrubar o veto no Congresso, atendendo ao lobbye principalmente de grandes empresas de comunicação, como as Organizações Globo.

Na avaliação das centrais sindicais, se o veto for derrubado, os trabalhadores ficam seriamente ameaçados de perder direitos como férias, Fundo de Garantia e 13º salário.

Nova classe trabalhadora

Marcio Pochmann

Nas duas últimas décadas, a combinação entre o baixo crescimento econômico e a inserção globalizada pela especialização produtiva de contido valor agregado e pífio conteúdo tecnológico vem conformando uma nova estruturação na sociedade brasileira. O segmento dos trabalhadores urbanos, por exemplo, vem passando por transformações inquestionáveis.
Ademais de perder a sua antiga posição relativa de destaque entre o total da ocupação, assim como já identificado na classe média assalariada, percebe-se atualmente uma importante recomposição interna. Emblemático disso parece ser o esvaziamento relativo do peso dos postos industriais de trabalho, como de metalúrgicos e operários da construção, preenchidos rapidamente por vagas do setor terciário, como de vendedores e seguranças.
Com isso, a nova classe trabalhadora urbana caracteriza-se por maior escolaridade, idade média avançada, ampliada presença feminina e baixa taxa de fecundidade. Não obstante essas modificações, a remuneração dos ocupados urbanos perde posição relativa na renda nacional, assim como o emprego torna-se mais inseguro e escasso.
Na falta de uma nova maioria política comprometida com o desenvolvimento sustentável, o Brasil tende a protagonizar o silêncio dos cemitérios .
Neste sentido, assiste-se à desconstrução da estrutura social produzida ao longo de cinqüenta anos de industrialização nacional (1930 - 80). Como se sabe, a convergência política em torno do crescimento econômico a partir da Revolução de 30 se mostrou capaz tanto de derrotar as forças liberais que dominavam a República Velha (1989 - 1930) como de contribuir decisivamente para o estabelecimento de uma nova estrutura social no Brasil. Embora a articulação política da anacrônica oligarquia primário-exportadora oferecesse resistência não desprezível, como no caso da Revolução de 1932 e no discurso do grupo de Washington Luís de que a laranja substituiria o êxito do café, o avanço das novas bases materiais do capitalismo urbano industrial reorganizou a sociedade brasileira em torno de dois eixos estruturantes.
De um lado, a constituição de um generalizado proletariado urbano industrial. O vigor da expansão da ocupação urbana foi inegável, permitindo que a classe trabalhadora urbana deixasse de representar menos de 18% do total da ocupação, em 1920, para responder por quase 55% em 1980. Nesse mesmo período de tempo, cerca de dois terços da classe trabalhadora urbana terminou sendo constituída pelo movimento de migração campo-cidade - responsável pela transformação rápida do micro e pequeno proprietário rural (agricultura familiar ou de subsistência) em trabalhador urbano assalariado (com ou sem carteira assinada). Na maior parte das vezes, essa passagem foi acompanhada da ascensão social, mesmo que no contexto de enorme desigualdade, pois enquanto os filhos dos pobres ficavam menos pobres que seus pais, os filhos dos ricos ficavam mais ricos que seus país.
De outro, o desenvolvimento uma ampla classe média. Especialmente em relação ao avanço dos empregos assalariados na grande empresa privada e no interior do setor público, houve a ampliação da classe média, que passou de um pouco mais de 15% do total das ocupações urbanas, em 1920, para quase 32% em 1980. No ambiente de elevado crescimento econômico voltado para o fortalecimento do mercado interno, a educação se transformou no verdadeiro passaporte para o emprego, permitindo que o acesso ao certificado escolar implicasse trajetória profissional ascensional e proteção contra o desemprego.
Neste começo de século, o Brasil parece não conseguir deixar de conceder atenção especial aos segmentos dos descamisados e dos rentiers. Ao invés do curso da sociedade salarial estruturada entre trabalhadores de colarinho branco e azul, segundo evidências originalmente definidas nas nações desenvolvidas, percebe-se um certo regozijo por parte da elite com a possibilidade de o Brasil voltar a inaugurar mais um novo ciclo da cana-de-açúcar.
Mesmo que isso possa até ser uma condição necessária na montagem de uma nova matriz energética não é suficiente para interromper o movimento atual de desconstrução social. Com a prevalência do baixo dinamismo econômico e da inserção subordinada na globalização, dificilmente a nova classe trabalhadora urbana poderá absorver, como no passado, parcela maior dos frutos da expansão produtiva.
Se não for para constituir uma sociedade menos primitiva, com bem-estar universalizado, para que, então, o enorme arco de forças políticas convergente fundamentalmente com a estabilização monetária? Sem uma nova maioria política, comprometida com o desenvolvimento sustentável, o Brasil tende a protagonizar o silêncio dos cemitérios. Lá, ao que parece, não tem barulho, mas também não tem vida.

Insegurança Pública: o novo jeito de desgovernar no RS

Nesta sexta-feira que passou, tive a oportunidade de vivenciar o tal “novo jeito de governar” na segurança pública do Rio Grande do Sul. Estava indo para a reitoria da UFRGS para a abertura do Encontro Estadual da Juventude Negra, quando o ônibus que me transportava, já quase que ao lado da reitoria é abordado pela política. Todos os passageiros foram obrigados a descerem do veículo para serem revistados pelos PMs, a maneira, descriteriosa que os policiais abordaram aos passageiros me chamou atenção. Se criou um verdadeiro clima de intimidação, tendo bolsas de trabalhadores sendo revistada de maneira exagerada e criando um clima de verdadeira insegurança aos presente. Me pergunto, de que vale este tipo de ação que apenas serve para intimidar a população e criar uma falsa imagem de eficiência e trabalho na segurança? Ainda mais quando na prática temos visto os indicies de violência urbana apenas aumentarem no estado, o que demonstra a ineficiência desta política de holofotes adotada pelo Governo Yeda.
Até quando isso vai seguir assim? Será que teremos de aguentar este tratamento intimidador da policia junto a população? O “sentimento” de insegurança gerado na população só irá aumentar com essas medidas, afinal, esta linha de ação da Secretária de Segurança, que visa apenas criar números ficticios para a imprensa e não a solução real dos problemas tende, se mantida esta política, a criar problemas reais da população junto ao aparato de segurança, principalmente ao tratar a todos como possíveis suspeitos, se criará uma lógica cada vez mais paranóica sobre como lidar com estes temas. Os resultados podem ser ainda mais trágicos.

Cascavelletes - Eu Quis Comer Você

Curiosa apresentação da banda gaúcha Cascavelletes no programa Clube da Criança apresentado pela Angélica.